DÉBORA DENADAI EM PROSA E VERSO

FAZER POESIA É LAVAR A ALMA FAZENDO SANGRIA...

Textos


PORTA DA RUA, SERVENTIA DA CASA

(2001)

Se quiseres ir, vá.
Não anuncies, nem faça barulho.
Não precisas publicar.
Não precisas mala ou embrulho.
Se quiseres ir, é já,
Não esperes a hora certa
porque esta, está claro,
não há.
Se quiseres ir,
sai sem bater a porta
que o barulho incomoda
e não é que minha alma se importa
com a educação ou a moda:
mas já está demais cansada
e tanto estrondo incomoda.
Se quiseres ir, é hoje,
nada de esperar que venha o dia,
nada de deixar a noite ir,
e esticar tanta agonia.
Já deu tua hora.
A porta da rua
é serventia da casa
e vai ficar aberta
pra quando me voltem as asas.
Se quiseres ir
não direi uma letra sequer:
brincadeira tem hora,
e paciência, limite,
e o rio já não te dá pé.
Nada deixes para trás,
não quero teus palpites.
Vá e leve embora,
dentro da tua bagagem
este pedaço de gente,
este resto de imagem,
que quero enterrar,
de ida, eu dou-te a passagem
pra tua falta de limites.


Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 24/08/2005
Alterado em 24/08/2005
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